| Movimento interno sobre si| nota musical de omissão sonora| razão secreta | um eu em cessação de ruído audível | correspondência telepática | punição | não mencionar palavra | pensamento espacial | tempo | quietude metafórica | não conheço o odor | não conheço o toque | não conheço a forma | não conheço o sabor | não conheço o som | ainda melhor...| às vezes, contigo, preferia não conhecê-lo em qualquer dos sentidos | Pausa | no rapto das palavras, às vezes mais forte e intenso que elas | entre o profundo e o superficial | entre o complexo e o sem significado | silentium |
B.
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
sábado, 24 de setembro de 2016
E...Música...
Jóhann Jóhannsson - A Sparrow Alighted Upon Our Shoulder
B.
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
As Coisas Transitórias (Rabindranath Tagore)
"Irmão,
nada é eterno, nada sobrevive.
Recorda isto, e alegra-te.
A nossa vida
não é só a carga dos anos.
A nossa vereda
não é só o caminho interminável.
Nenhum poeta tem o dever
de cantar a antiga canção.
A flor murcha e morre;
mas aquele que a leva
não deve chorá-la sempre...
Irmão, recorda isto, e alegra-te.
Chegará um silêncio absoluto,
e, então, a música será perfeita.
A vida inclinar-se-á ao poente
para afogar-se em sombras doiradas.
O amor há-de ser chamado do seu jogo
para beber o sofrimento
e subir ao céu das lágrimas ...
Irmão, recorda isto, e alegra-te.
Apanhemos, no ar, as nossas flores,
não no-las arrebate o vento que passa.
Arde-nos o sangue e brilham nossos olhos
roubando beijos que murchariam
se os esquecêssemos.
É ânsia a nossa vida
e força o nosso desejo,
porque o tempo toca a finados.
Irmão, recorda isto, e alegra-te.
Não podemos, num momento, abraçar as coisas,
parti-las e atirá-las ao chão.
Passam rápidas as horas,
com os sonhos debaixo do manto.
A vida, infindável para o trabalho
e para o fastio,
dá-nos apenas um dia para o amor.
Irmão, recorda isto, e alegra-te.
Sabe-nos bem a beleza
porque a sua dança volúvel
é o ritmo das nossas vidas.
Gostamos da sabedoria
porque não temos sempre de a acabar.
No eterno tudo está feito e concluído,
mas as flores da ilusão terrena
são eternamente frescas,
por causa da morte.
Irmão, recorda isto, e alegra-te." Rabindranath Tagore, in O Coração da Primavera
B.
domingo, 31 de julho de 2016
Amor à Primeira Vista (Wislawa Szymborska)
"Ambos estão convencidos
que os uniu uma paixão súbita.
É bela esta certeza,
mas a incerteza é mais bela ainda.
Julgam que por não se terem encontrado antes,
nada entre eles nunca ainda se passara.
E que diriam as ruas, as escadas, os corredores
onde se podem há muito ter cruzado?
Gostaria de lhes perguntar
se não se lembram —
talvez nas portas giratórias,
um dia, face a face?
algum “desculpe” num grande aperto de gente?
uma voz de que “é engano” ao telefone?
— mas sei o que respondem.
Não, não se lembram.
Muito os admiraria
saber que desde há muito
se divertia com eles o acaso.
Ainda não completamente preparado
para se transformar em destino para eles,
aproximou-os e afastou-os,
barrou-lhes o caminho
e, abafando as gargalhadas,
lá seguiu saltando ao lado deles.
Houve marcas, sinais,
que importa se ilegíveis.
Haverá talvez três anos
ou terça-feira passada,
certa folhinha esvoaçante
de um braço a outro braço.
Algo que se perdeu e encontrou?
Quem sabe se já uma bola
nos silvados da infância?
Punhos de poeta e campainhas
onde a seu tempo o toque
de uma mão tocou o outro toque.
As malas lado a lado no depósito.
Talvez acaso até um mesmo sonho
que logo o acordar desvaneceu.
Porque cada início
é só continuação,
e o livro das ocorrências
está sempre aberto ao meio." Wislawa Szymborska
B.
terça-feira, 26 de julho de 2016
Hoje, também os carros dançam (Filipa Leal)
"Hoje, também os carros dançam. As casas movem-se
levemente. E eu – que mudei de casa e de roupa, de cidade e de cama, de
palavras... Eu, que mudei de música e de carro, de saudade, de quarto... Eu –
que mudei de computador e de rua, de eternidade e de paisagem, de abraço e de
clima... Eu – que mudei de língua e de lágrimas, de deus e de caderno, de
crenças e de céu... Eu – que mudei de lume, que mudei de medos... Eu – que
mudei de planos, de lençóis, de secretária... Eu – que mudei de óculos e de
rumo, de amigos, de champô, de rituais e de supermercado... Eu – que mudei de
tudo que em quase nada mudou, mudei de dentro de mim para dentro de ti, meu
amor." Filipa Leal in Talvez os
Lírios Compreendam, 2004
B.
quarta-feira, 8 de junho de 2016
On...
AlunaGeorge - I'm In Control ft. Popcaan
Eryn Allen Kane - "Slipping"
Nao - In the Morning
Nick Hakim - I Dont't Know
B.
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domingo, 5 de junho de 2016
A Exploração da Liberdade (Byung-Chul Han)
"A liberdade foi um episódio. “Episódio” significa “entreato”,
“intervalo entre dois atos”. O sentimento de liberdade situa-se na transição de
uma forma de vida para outra, até acabar por se revelar como uma forma de coacção.
À libertação segue-se, deste modo, uma nova submissão. É este o destino do
sujeito, que literalmente significa “estar submetido”.
Cremos hoje que não somos um sujeito submetido, mas
um projecto livre, que se repõe em questão e reinventa constantemente. Ora,
acontece que…” Byung-Chul Han In Psicopolítica
B.
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