que me escutes a cada instante,
mesmo longe, falo-te.
B.
quinta-feira, 23 de julho de 2015
segunda-feira, 13 de julho de 2015
quarta-feira, 8 de julho de 2015
segunda-feira, 6 de julho de 2015
sábado, 4 de julho de 2015
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Príncipe no Roseiral (Matilde Campilho)
“Escute lá
isto é um poema
não fala de amor
não fala de cachecóis
azuis sobre os ombros
do cantor que suspende
os calcanhares
na berma do rochedo
Não fala do rolex
nem da bandeirola
da federação uruguaia
de esgrima
Não fala do lago drenado
na floresta americana
Não diz nada sobre
a confeitaria fedorenta
que recebe os notívagos
para o café da manhã
quando o dia já virou
Isto é um poema
não fala de comoções
na missa das sete
nem fala da percentagem
de mulheres que se espantam
com a imagem do marido
aparando a barba no ocaso
Não fala de tratores quebrados
na floresta americana
não fala da ideia de norte
na cidade dos revolucionários
Não fala de choro
não fala de virgens confusas
não fala de publicitários
de cotovelos gastos
nem de manadas de cervos
Escute só
isto é um poema
não vai alinhar conceitos
do tipo liberdade igualdade e fé
Não vai ajeitar o cabelo
da menina que trabalha
com afinco na caixa registadora
do supermercado
Não vai melhorar
Não vai melhorar
isto é um poema
escute só
não fala de amor
não fala de santos
não fala de Deus
e nem fala do lavrador
que dedicou 38 anos
a descobrir uma visão
quase mística
do homem que canta
e atravessa
a estrada nacional 117
para chegar a casa
ou a algum lugar
próximo de casa.” Matilde Campilho
B.
terça-feira, 30 de junho de 2015
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Deixa o tempo fazer o resto (Ana Paula Inácio)
"Deixa o tempo fazer
o resto
fechar janelas
aplacar os barcos
recolher os víveres
semear a sorte
acender o fogo
esperar a ceia
abre as portas: lê a luz
a sombra, a arte do passarinheiro
com três paus
fazes uma canoa
com quatro tens um verso,
deixa o tempo fazer o resto." Ana Paula Inácio in Modo de Usar & Co
fechar janelas
aplacar os barcos
recolher os víveres
semear a sorte
acender o fogo
esperar a ceia
abre as portas: lê a luz
a sombra, a arte do passarinheiro
com três paus
fazes uma canoa
com quatro tens um verso,
deixa o tempo fazer o resto." Ana Paula Inácio in Modo de Usar & Co
B.
segunda-feira, 8 de junho de 2015
domingo, 7 de junho de 2015
Para lá do além
Para
lá do além| esse lugar que procuro| onde o silêncio se cruza com o despertar
dos pássaros e de todos os outros bichos| gosto de olhar o voo do dente de leão
quando vai de mão dada com o bem-me-quer| porque o mal, esse ficou apenas com o
querer| se| pois, se| já não é |poderia ser ou não| era uma vez| talvez| sinto
a tua falta| os meus dedos detêm-se em cada uma das teclas| o cheiro a terra|
relembra-me que há muito| não ando sobre pedras ou nos campos de centeio e
papoilas| escrevo sobre personagens pequenas de mundos gigantes às suas costas|
monstros próximos habitam as suas vidas| impedindo que sejam também eles
pessoas| a nossa pequenez é retratada nestes momentos| incapazes de ver para lá
do além| perdemo-nos| na solidão da agitação| não conseguindo que o sonho ganhe
forma| presença | acabei de ter uma censura| eu sei| preciso terminar o
escrito| com a seriedade académica necessária| mas| gosto muito mais de olhar | não gosto de formatações| gosto de criar| mas ainda bem que às
vezes| tenho as cordas amarradas às pedras| de outra forma| com música, mesa e boa companhia| já estaria para lá
do além|
B.
sexta-feira, 5 de junho de 2015
domingo, 31 de maio de 2015
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Segredo (Maria Teresa Horta)
“Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça
nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa
Deixa que feche
o anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço
Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar
nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar.” Maria
Teresa Horta
B.
B.
domingo, 24 de maio de 2015
sexta-feira, 22 de maio de 2015
Eu Ontem Ouvi-te... (Ângelo de Lima)
“Andava
a luz
Do teu olhar,
Que me seduz
A divagar
Em torno a mim.
E então pedi-te,
Não que me olhasses,
Mas que afastasses,
Um poucochinho,
Do meu caminho,
Um tal fulgor
De medo, amor,
Que me cegasse,
Me deslumbrasse,
Fulgor assim.” Ângelo de Lima, in “Antologia Poética”
Que me seduz
A divagar
Em torno a mim.
E então pedi-te,
Não que me olhasses,
Mas que afastasses,
Um poucochinho,
Do meu caminho,
Um tal fulgor
De medo, amor,
Que me cegasse,
Me deslumbrasse,
Fulgor assim.” Ângelo de Lima, in “Antologia Poética”
B.
terça-feira, 19 de maio de 2015
Se terminar este poema, partirás (Maria do Rosário Pedreira)
“Se terminar
este poema, partirás. Depois da
mordedura vá do
meu silêncio e das pedras
que te atirei
ao coração, a poesia é a última
coincidência
que nos une. Enquanto escrevo
este poema, a
mesma neblina que impede a
memória límpida
dos sonhos e confunde os
navios ao
retalharem um mar desconhecido
está dentro dos
meus olhos — porque é difícil
olhar para ti
neste preciso instante sabendo que
não estarias
aqui se eu não escrevesse. E eu, que
continuo a
amar-te em surdina com essa inércia
sóbria das
montanhas, ofereço-te palavras, e não
beijos, porque
o poema é o único refúgio onde
podemos repetir
o lume dos antigos encontros.
Mas agora pedes-me que pare, que fique por
aqui,
que apenas
escreva até ao fim mais esta página
(que, como as
outras, será somente tua — esse
beijo que já
não desejas dos meus lábios). E eu, que
aprendi tudo
sobre as despedidas porque a saudade
nos faz adultos
para sempre, sei que te perderei
em qualquer
caso: se terminar o poema, partirás;
e, no entanto,
se o interromper, desvanecer-se-á
a última
coincidência que nos une.” Maria do Rosário Pedreira
sábado, 16 de maio de 2015
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