terça-feira, 18 de junho de 2013

L o n g e

...hummmm...

longínquas paragens essas...
distâncias imensas...
saudades enormes...

"Algum dia, talvez dentro de pouco tempo, construirei um barco muito grande; que possa flutuar como os barcos e voar como os aviões, apesar de ser um barco; que possa circular sobre a terra e por baixo de água como um barco com rodas, como uma nave submarina." in A grande viagem de Anna Castagnoli & Gabriel Pacheco

Para que consiga rapidamente raptar-te e ficar ao teu lado, simplesmente.




B.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Algumas proposições com pássaros e árvores (Ruy Belo)


 “Os pássaros nascem na ponta das árvores
As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Os pássaros fazem cantar as árvores
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
quando o outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
mas deixo essa forma de dizer ao romancista
é complicada e não se dá bem na poesia
não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração” Ruy Belo








B.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Metafísica (Fiama Hasse Pais Brandão)

"Todas as árvores apaziguam
o espírito. Debaixo do pinheiro bravo
a sombra torna metafísica
a silhueta de tronco e copa.
Em volta da ameixoeira temporã
vespas ensinam aos meus ouvidos
louvores. As oliveiras não se movem
mas as formas da essência desenham-se
cada dia com o vento.
Na sombra os frémitos
acalentam o pensamento
até ao não pensar. Depois
até sentir a vacuidade
no halo das flores que o envolve.
Sob as oliveiras, por fim,
que não se movem contorcendo-se,

concebe o não conceber" Fiama Hasse Pais Brandão




B.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Sem Ti (Eugénio de Andrade)

"E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti,
sem álamos,
sem luas.
Só nas minhas mãos
oiço a música das tuas." Eugénio de Andrade, Coração do dia






B.