quarta-feira, 21 de novembro de 2012

VITORIA

Há frio por aqui. ..

Gente que caminha rua acima, rua abaixo, de cão na mao (ou criança ao colo).

Há o cheiro a castanhas assadas, envolvidas em cartuxos de papel reciclado (que chique).
Há uma lingua que me atropela os sentidos e vence a minha capacidade de identidade (deslocada).
Há a solidão das noites, ainda que pense qual a melhor forma de te ter aqui (agora).

FAZES-ME (SEMPRE) TANTA FALTA!!!

M.


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Saudade(s)

Vagueio na imensidão azul da água,
a delicadeza das ondas toca a areia castanha, sozinha.
Sinto a saudade de ti,
no flutuar das aves,
ou no bater das asas daquele pássaro, ali sozinho.
A realidade da tua existência
apodera-se do meu corpo.
A tranquilidade que invade a minha alma
é ameaçada pela presença constante de sons que perfumam as ruas que percorro,
o ritmo da paixão seduz-me,
    torna a quietude num desejo
    e a serenidade compassada da saudade marca-me.



B.

domingo, 4 de novembro de 2012

a despedida dos amantes

Mais um abalar entre sorrisos desfeitos e corações feitos à distância. Mais uma viagem com um destino de costas viradas. O rio que nasce naquela tua serra e vem parar a este meu mar. Também estes em viagem, entre encontros e desencontros...

Até quando as viagens de vai-vem? até quando o meu e o teu acenar?

Até quando entristecer?

M.

domingo, 28 de outubro de 2012

Folhas de Outono

As cores de Outono denunciam o calor dos amantes. São quentes, fazem corar e afagam a nossa alma.
Ainda hoje as senti bem cá dentro, quando passeava a teu lado. Faltou a mão na mão ou o braço na cintura, mas as cores e o teu sorriso logo fizeram esquecer esse corpo a corpo que é só nosso.

Gosto de descobrir contigo os sons da natureza. Gosto da forma como atentas aos movimentos dos seres que te desafiam os sentidos, que te despertam os sorrisos e que te fazem um ser ainda maior. 

Gosto de ti! GOSTO MUITO DE TI!!
M.

Uma manhã ao teu lado, no bosque da cidade

Hoje o acordar teve mais som e brilho,
No calor do sonho, senti o teu respirar.
Os dias, na sua efemeridade e rapidez,
tal e qual como o pica-pau que vimos no seu buraco de árvore
são sempre mais coloridos, quando a distância que nos separa, é a de um beijo.
Anda vem comigo...
No bosque, no meio da cidade
escutas o murmúrio das árvores,
sentes a melodia do deslizar de cada folha,
e a dança do melro debaixo do castanheiro.
As cores de outono perfumam o nosso olhar,
e tu perdes-te no medronheiro. Estás corada sabias?
A alegria de partilhar o espaço, torna ainda mais real o habitar.
A conversa propaga-se e atmosféricamente
as palavras encontram palavras,
os amigos escutam e falam.
É uma manhã ao teu lado.


B.


História do Sábio Fechado na sua biblioteca

" Era uma vez um velho sábio que tinha lido todos os livros e sabia tudo. Nada do que existia, e mesmo do que não existia, tinha para si segredos."

in Manuel António Pina

sábado, 20 de outubro de 2012

Manuel António Pina (1943-2012)

Completas

A meu favor tenho o teu olhar
testemunhando por mim
perante juízes terríveis:
a morte, os amigos, os inimigos.

E aqueles que me assaltam
à noite na solidão do quarto
refugiam-se em fundos sítios dentro de mim
quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.

Protege-me com ele, com o teu olhar,
dos demónios da noite e das aflições do dia,
fala em voz alta, não deixes que adormeça,
afasta de mim o pecado da infelicidade.

in “Algo Parecido Com Isto, da Mesma Substância”



B.