sábado, 20 de outubro de 2012

Manuel António Pina (1943-2012)

Completas

A meu favor tenho o teu olhar
testemunhando por mim
perante juízes terríveis:
a morte, os amigos, os inimigos.

E aqueles que me assaltam
à noite na solidão do quarto
refugiam-se em fundos sítios dentro de mim
quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.

Protege-me com ele, com o teu olhar,
dos demónios da noite e das aflições do dia,
fala em voz alta, não deixes que adormeça,
afasta de mim o pecado da infelicidade.

in “Algo Parecido Com Isto, da Mesma Substância”



B.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Em ataxito para ti




B.

Palavras de inspiração em 1984

Há que viver - e vive-se, graças ao hábito que se tornou instinto - no pressuposto de que cada som emitido deveá ser escutado e que cada ser deverá ser livre, ter amor, exprimir feições e por alguma razão agir e fazer.
Onde param o ministério da verdade, a polícia do pensamento, a alegoria de sísifo, a defesa de um slogan: A paz para todos, liberdade com dignidade, educação é a força...
E agora?! Que brilhante sobressalto, no instante que se segue adormeço embalado pelo rufar do coração.
Que labirintico conjunto de expressões.
Um dia, as palavras serão a chave das estórias e histórias.


B.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

entristecer...

Quando o dia cai, entra a noite que me cobre metade da face com a sua sombra... Antes assim, que não me vêem a entristecer!

B.